29 de out. de 2008

Artigo -12 móveis de madeira certificada

Por Edson G. Medeiros

Texto Gabriela Varanda e Juliana Tourrucôo

Fotos Pierre Yves

Designers e fabricantes encamparam a causa de reduzir o impacto da produção sobre o meio ambiente. Por isso, está mais fácil encontrar peças feitas de madeira extraída de florestas corretamente manejadas.

1- A base da mesa Saturno - designer Fernando Jaeger















2- Banco Cobra - designers Paulo Milani e Ricardo Salem













3- mesa Leme - Tok Stok















4- linha Java - Tidelli













5- mesa Manhattan - Amazonia fibras Naturais
















6- cadeira Jazzy - designer Sérgio Fahrer




















7- Cadeira 50 - Casa 21



















8- Poltrona Dinamarquesa - Jorge Zalszupin














9 - mesa de centro do designer Renato Barbosa










10 - banco Phong


















11- rack Aimoré













12- cadeira Garden Plus da Tramontina

















fonte: Casa Cláudia

27 de out. de 2008

Dicas - 10 dicas para home office

O Home Office é uma alternativa cada vez mais comum entre profissionais. A nova organização da economia está indo cada vez mais nesta direção, e é cada vez mais freqüente encontrar exemplos de pessoas bem-sucedidas nas suas atividades profissionais executadas parcial ou totalmente a partir de um escritório doméstico.

Se você já tem o seu home office, que tal melhorá-lo? Um pouco de revisão e planejamento pode tornar o seu ambiente profissional doméstico muito mais efetivo, sem perder as vantagens de trabalhar dentro de casa.

Veja abaixo 10 dicas para compor o escritório ideal na sua casa ou apartamento.

1. Pare para pensar no seu ambiente: é iluminado? Arejado? A temperatura é aceitável? Como está o isolamento acústico? Um painel colorido, uma cortina, uma janela aberta, uma luminária, um espelho grande na parede, um quadro, um relógio na parede, um circulador ou um quadro de avisos (mesmo que seja para você mesmo) podem lhe fazer avançar vários pontos no conforto ambiental.

2. Alimente-se melhor: já que você trabalha em casa, aproveite: estruture seu horário de forma a poder ter um bom café da manhã, e um almoço caseiro várias vezes por semana. Estruture-se, organize-se, aprenda a comprar os ingredientes certos e a congelar pratos, se necessário. Sua saúde agradece, a qualidade de vida comemora, e até o bolso pode ficar feliz! Nos dias de pressa, saiba acelerar a comida!

3. Redistribua os móveis e objetos: pense como o modelo adotado por um piloto de avião comercial: os instrumentos mais importantes para seu trabalho estão localizados exatamente à frente da sua posição usual de trabalho, e os demais ficam dispostos radialmente a partir deste núcleo, de modo que ele se desloca o mínimo possível para realizar seu trabalho. Não esconda dentro de armários distantes as ferramentas que você usa no dia-a-dia, nem desperdice o espaço das áreas mais nobres à frente da sua posição de trabalho.

4. Fuja do aperto: ao redistribuir os móveis, preste atenção: há mobília no seu espaço de trabalho que você não usa para trabalhar? Que tal tentar movê-la para outro local, dando mais espaço para a sua atividade profissional? Verifique também se sua mesa, cadeira, estante, arquivo ou monitor não são menores do que deveriam ser para permitir o trabalho com conforto e organização - e planeje sua substituição, se necessário.

5. Acorde mais cedo: acordar cedo vale a pena, e fica mais fácil se você desenvolver o hábito de dormir
bem. Um pequeno truque pode ajudar!

6. Atitude ecológica: vá tão longe quanto for possível e prático. No mínimo, reuse os clips e folhas de papel, apague as luzes ao sair, e desligue os equipamentos quando não estiverem em uso!

7. Arquive direito os documentos: para ter um escritório pessoal em que as coisas não somem, no mínimo, você precisa de gavetas e de uma boa estrutura de arquivamento organizado de documentos e papéis em geral. Se quiser fazer apenas o essencial, um arquivo de pastas suspensas econômico, com estrutura em plástico ou aramado, custa menos de R$ 50 nas papelarias, e continua sendo útil por anos e anos a fio. Uma boa estrutura inicial é considerar uma pasta para cada um dos projetos em que você estiver envolvido, e mais algumas pastas extras para arquivamento das suas categorias de materiais de referência.

8. Organize os cabos: eu já compartilhei a minha receita para manter os cabos sempre no lugar, acessíveis e fora do meu campo visual, mas você pode fazer algo similar gastando ainda menos, com alguns fixadores feitos de nylon ou velcro que você encontra em lojas de utilidades domésticas.

9. Atenção às telecomunicações: Comunicar-se com clientes, parceiros e fornecedores exige um telefone, e eventualmente um fax. Considere avançar na digitalização, usando bem recursos como VoIP (incluindo Skype e similares, mas também serviços mais complexos), e-mail e web. Mas se você trabalha sozinho, ter uma secretária eletrônica (virtual ou não) e um aparelho telefônico que permita circular livremente e manter as duas mãos disponíveis é essencial. Eu recomendo um telefone sem fio com secretária eletrônica digital, identificador de chamadas e entrada para fone de ouvido/microfone - é suficientemente barato, você não perderá mais nenhum recado ou oportunidade de retornar a ligação, e poderá andar pela casa falando, com ambas as mãos livres, quando necessário.

10. Considere a ergonomia: evite a tendinite e os problemas de visão! Coloque a mesa e a cadeira na altura e posição certa, evite sombras e brilhos excessivos, posicione bem o monitor, o teclado e o mouse, e faça pausas regulares, no mínimo.
Fonte : http://www.efetividade.net

Conheça a Stato

24 de out. de 2008

Homenagem - Paulo Mendes da Rocha

Paulo Mendes da Rocha sentado na cadeira Paulistano de sua criação
Através deste artigo a Stato homenagia a obra de Paulo Mendes da Rocha, formado pela Universidade Mackenzie de São Paulo em 1954, em uma de suas primeiras turmas, teve como seu primeiro projeto o ginásio do Clube Atlético Paulistano (1957-58) em parceria com João E. de Gennaro.

Clube Atlético Paulistano

Trabalhou com João Batista Villanova Artigas, em 1959 e 1960, um dos principais arquitetos da geração anterior.
Em 1961 tornou-se professor da FAU–USP, sendo afastado em 1969 pela ditadura militar. Só retornaria a lecionar em 1980. Foi premiado em 1971 no Concurso Internacional para o Centro George Pompidou, em Paris.
Ocupou em 1972, o cargo de presidente da seção paulista do IAB e também o exerceu em 1986.
No final dos anos 90 participou da X Documenta de Kassel, foi premiado na I Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Engenharia Civil na Espanha e na IV Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo recebeu homenagem com sala especial.Dentre suas obras importantes destacam-se: Museu de Arte de Campinas, na Unicamp (SP, 1989), Museu de Arte Contemporânea, com Jorge Wilheim, (SP, 1975-77), Museu Brasileiro de Arquitetura (SP), Centro Cultural da Fiesp (SP), a renovação da Pinacoteca do Estado, (SP), Ginásio do Clube Atlético Paulistano (SP), Terminal Rodoviário de Goiânia (GO), Estádio Serra Dourada (GO), Terminal Rodoviário de Cuiabá (GO), Pavilhão do Brasil na Exposição Mundial de Osaka (Japão, 1970).Foi premiado na Bienal Ibero-Americana de Madri (Trajetória Profissional), Museu Nacional de Belas-Artes (Prêmio Vitrúvio), Arquitetura Latino-Americana (Prêmio Mies van der Rohe), Bienal Internacional de São Paulo (Ginásio do Clube Paulistano).

fonte: Rede Brasil Design

Conheça a Stato

22 de out. de 2008

Dica - Literatura

Vilanova Artigas
de João Masao Kamita
O arquiteto João Masao Kamita situa a obra e traça o perfil do arquiteto Vilanova Artigas (1915-1985). Um dos mais influentes criadores no Brasil em toda a segunda metade do século XX, grande mestre da chamada "arquitetura brutalista paulista", Artigas projetou o edifício da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Baseado em sua formação política de esquerda, Artigas contestou, na década de 50, a obra de Frank Lloyd Wright e Le Corbusier, que segundo ele, exprimiam o "pensamento da classe dominante".
fonte: Cosac Naify

17 de out. de 2008

Lina bo Bardi e a Tropicália

Lina e Gilberto Gil, 1986
Foto de Luiz Prado
por Marcelo Ferraz

Nascida na Itália, Lina Bo Bardi desembarca no Brasil, na metade dos anos 1940, para dar início a uma sólida paixão pela terra e pela cultura brasileiras. É essa Lina que se pode considerar tropicalista... ou não? Neste artigo, o arquiteto Marcelo Ferraz, que durante vários anos foi colaborador da inquieta projetista, analisa as relações de Lina com o movimento que sacudiu a cena nacional na década de 1960 e percorre de forma resumida a trajetória da arquiteta, do Velho para o Novo Mundo, da cultura européia para a arte popular brasileira, das vanguardas racionalista e dadaísta às raízes da tropicália.
Leia este artigo na integra
fonte:ARCOweb

15 de out. de 2008

Agenda - ECOARQ – Seminário sobre Arquitetura Sustentável e Mudanças Climáticas

O Instituto Ecoclima promove de 12 a 14 de novembro, na Universidade Positivo, em Curitiba, o ECOARQ - I Seminário sobre Arquitetura Sustentável e Mudanças Climáticas.O evento visa fomentar esta discussão, através de como os diversos elementos constitutivos da urbe (edificações, infra-estrutura, transportes, parques, etc.) podem colaborar para minimizar o impacto urbano no meio-ambiente, bem como apresentar medidas de adaptação das construções urbanas, em função das mudanças climáticas.O Seminário terá ainda uma programação, opcional, de minicursos. As inscrições estão abertas e têm desconto para pagamento até 31 de outubro.

mais informações: http://www.ecoclima.org.br/

fonte: Rede Design Brasil

13 de out. de 2008

Entrevista Ruy Ohtake


O paulista Ruy Ohtake é atualmente um dos arquitetos brasileiros mais conhecidos no país e no exterior. Diplomado há mais de 40 anos pela FAU-USP, onde foi aluno de Vilanova Artigas, e ligado à escola paulista, Ohtake avançou para uma arquitetura mais lírica, mais leve, que expressa o prazer pelas curvas, pela inovação. Por essa razão, já foi considerado “o mais carioca dos arquitetos paulistas”. É evidente certa influência de Oscar Niemeyer, de quem é amigo e admirador desde estudante. Segundo Ohtake, seus projetos procuram dar continuidade à arquitetura moderna brasileira, criando volumes de formas arrojadas, até mesmo polêmicas, projetadas de acordo com técnicas que ele sabiamente incorpora e adapta às suas necessidades.
fonte: ArcoWeb

10 de out. de 2008

A lógica da tendência de cores no mundo


por Bete Branco

Existem tendências mundiais para cores em todos os segmentos. Elas estão disponíveis a todas as culturas, já que hoje a globalização oferece e cobra esta inserção e tem tornado as barreiras culturais muito tênues.
Os estilos regionais, radicais ou quase "sagrados" para algumas culturas ainda existem, mas estão cada vez mais sendo conjugados com as tendências mundiais. Por exemplo: uma advogada muçulmana - ela se veste com roupas ocidentalizadas, dentro das tendências dominantes, mas tampa seu rosto, usa roupas mais compridas, véus, burkas, etc. Na verdade, não é uma adaptação, mas uma conjugação. Hospitais de Londres oferecem burkas e camisolas em estilos especiais para pacientes muçulmanos, nas cores adequadas às necessidades hospitalares.
Na arquitetura das regiões mais exóticas, em relação aos padrões ocidentais, também vemos adaptações, mas ainda estão mais voltadas aos ambientes empresariais e hotelaria, onde naturalmente o investimento se relaciona ao público externo, principalmente o ocidental. Aí se observa a necessidade de se adaptarem para adequarem-se ao gosto e conforto ocidental, seu público alvo.
Em todas as culturas vai haver a opção por seguir uma tendência oferecida ou não. Quanto mais radical ou fechada essa cultura, menos se alterará. Mas o que se nota é a diminuição dessas barreiras.
As tendências mundiais de cores são determinadas considerando-se aspectos relevantes para todo o aspecto comercial, inclusive a oferta ou carência de determinados pigmentos no mercado.Os produtores de materiais de construção, acabamento e decoração, entre outros, vão todos querer compartilhar das mesmas tendências até para que haja uma sincronia comercial.
Existem profissionais que andam na contramão das tendências, criando seus próprios estilos sem se preocuparem com opinião alguma e encontram restrições na oferta de matérias-primas, cores e outros itens do mercado. E existem os formadores de opinião, que vão ditar tendências a partir, geralmente, da oferta de cores e materiais do mercado. Há também aqueles que ainda não têm autonomia para tanto e seguem as tais tendências mundiais.
Quando uma tendência de cores é determinada, tudo à sua volta passa a fazer parte de uma mesma linha de pensamento, ou “inspiração”. Por exemplo: num determinado momento os ambientes vermelhos foram estimulados a serem combinados com madeiras claras, pátinas, estofados brancos e sintéticos, metais foscos. Já num segundo momento, o vermelho em outras tonalidades poderão vir estimulados em combinações com madeiras escuras, rádicas, pedras, estofados em fibras naturais, metais niquelados.
Essa estimulação geralmente é influenciada pela maior disponibilidade dos materiais e pigmentos encontrados na época. Pode-se observar que isso virá a influenciar também o cinema, a TV, o vestuário, ilustrações, etc.
Arquitetura promocional
Temos como fazer ajustes nas tonalidades das cores, na maioria das vezes, para que os ambientes comerciais que precisem estar “linkados” mais fielmente às tendências, não deixem de cumprir sua principal função: estimular psicologicamente o bem estar e a motivação do usuário.
Há um conflito entre tendência de cores, que é anual, e a psicologia das cores, que é freqüente, no que diz respeito ao uso na arquitetura. Por exemplo: se a cor do ano é o amarelo, isso fará que um arquiteto use esta cor no projeto de uma loja, ou outro estabelecimento? Ou ele usará uma cor que tem uma função para aquele espaço?
Podemos fazer ajustes, entretanto, se observarmos as grandes feiras de design e arquitetura que ditam tendências, vamos ver que são oferecidos produtos em quase todas as cores, mudando de ano para ano apenas suas tonalidades, com a finalidade de não suprimir nenhuma cor do leque de tendências. Por exemplo: ficamos vários anos girando em torno dos “verde-limão” com “roxo avioletado”. Depois veio uma forte onda de “verde-petróleo”, na mesma fase extensa do “berinjela”. Depois o verde-limão voltou só que bem mais amarelado, como o “verde-abacate”.
Não deixaremos de ter verdes, acredito que nunca. Isso seria uma insanidade, pois seria como se verduras como a couve ou a alface saíssem de moda! Precisamos das cores como “vitaminas” para nossa alma, de onde vem todo o nosso bem ou mal estar!
As cores são mensagens que enviamos e recebemos, ou seja, são códigos de uma linguagem não-verbal. Relacionamento comercial se baseia muito mais em linguagem não-verbal, indireta, do que direta. As cores falam por si do estilo da empresa, expressam o produto, atraem o público-alvo e estimulam seu funcionário levando bem estar, motivação, valorização, competitividade, boa comunicação, bom relacionamento, atenção, zelo, seriedade, descontração, enfim, tudo o que quiser levar efetivamente, sem precisar de uma “circular” para exigir isso.
Gostaria de ressaltar que arquitetos e designers de interiores são como terapeutas através dos ambientes e que as cores são poderosos remédios à nossa disposição. Só precisamos saber usá-los e indicá-los na dose precisa! À medida que vejo, há muitos anos, os resultados positivos da aplicação das cores nos ambientes comerciais, industriais, enfim, corporativos, me disponho mais e mais a tentar quebrar rótulos e mostrar que a dependência dos modismos é uma forma de restrição de qualidade e criatividade.
Para usar as cores em ambientes promocionais com criatividade e sem perder a coerência, temos quatro valores que precisamos oferecer em nossa Programação Cromática:
- O VALOR PSICOLÓGICO e COMPORTAMENTAL que a cor vai agregar ao ambiente e aos seus usuários, estimulando as intenções da empresa, a motivação dos funcionários e a atração do cliente.
- O VALOR ESTÉTICO, sempre associado à logomarca da empresa e ao seu estilo no mercado para identificar-se com o público certo, enviando mensagem específica.
- A FUNCIONALIDADE, onde as cores podem melhorar ou prejudicar aspectos naturais do ambiente, manutenção, etc. A cor precisa também ser empregada com revestimento adequado.
- A COMUNICAÇÃO DE MERCADO, fazendo com que a empresa se expresse ou “se promova” pela sua identidade visual, atingindo o público certo, com as mensagens certas, perpetuando sua imagem.
De tudo o que falamos aqui, o mais importante é o seguinte: “Mais importante do que usar belas cores é usá-las bem”.

8 de out. de 2008

Desenho e Projeto






















esboço de Santiago Calatrava para o edifício turning torso

por Marcelo Ferraz

Em arquitetura, dizer que o desenho é tudo é uma meia verdade, ou até verdade nenhuma. Em arquitetura, arquitetura é tudo. Se entendermos arquitetura como uma experiência do espaço no tempo vivida com todos os sentidos, será difícil, ou mesmo impossível, substituir sua linguagem própria de expressão - a da percepção tridimensional do espaço -, por qualquer outra linguagem. A fotografia, a escrita e as várias formas de desenho - do mais livre e expressivo croqui ao mais técnico – não conseguem representar a arquitetura em sua totalidade sensorial. Nessa experiência, tudo conta: fruição, observação, reflexão, filtrados pela bagagem cultural de cada um.
Dito assim, onde é que fica o desenho, essa ancestral linguagem da expressão humana? Não é importante no fazer arquitetônico? Claro que sim. Ainda hoje o desenho é uma das principais ferramentas da arquitetura e, em muitos momentos, se confunde com a própria arquitetura, tal a proximidade da linguagem meio – o desenho, com a linguagem fim – a arquitetura.
Seguidamente, nos utilizamos da palavra desenho para nos referirmos ao projeto, sem pensar que projeto é muito mais que desenho. Projetar é ver adiante, enxergar à frente algo que poderá ou não ser concretizado. Ao projetar, podemos recorrer a várias linguagens, como o desenho, a escrita, a fotografia, esculturas (maquetes), sons, falas, etc. Mas em nossos dias, o desenho como linguagem, ainda é fundamental na prática arquitetônica, seja em sua concepção, seja em sua expressão. Não podemos prever até quando será assim, com tantas inovações que surgem todos os dias no campo da comunicação.
O que podemos afirmar é que, hoje, o desenho é parte integrante do fazer arquitetônico e também que o termo ‘desenho’ não tem uma aplicação precisa no campo da arquitetura. Quando o arquiteto português Álvaro Siza diz que “o desenho é a procura da inteligência”, ele está se referindo ao desenho enquanto projeto. E aí a confusão do uso dos termos continua armada. Mas o desenho enquanto projeto, tomado como forma prospectiva e propositiva a um só tempo, é uma das chaves para se compreender o que é fazer arquitetura. Em uma atividade única, que em geral é o ato de desenhar, o arquiteto observa, faz anotações, registra a natureza ou o lugar da intervenção, sua geografia, e ao mesmo tempo a transforma, também com desenhos. Muda, altera a realidade hipotética, agrega novos elementos e disso, desse ato uno e multifacetado, surge a arquitetura. Fazemos o desenho para apreender o lugar e para transformá-lo. Na medida em que estamos construindo o lugar, estamos construindo o projeto, tudo ao mesmo tempo. Em ato único de criação, utilizamos o desenho (design, projeto) como meio de percepção - forma de conhecer, e de expressão - forma de conhecimento.
Quando ouvimos alguém dizer, “já tenho a idéia, agora só falta o desenho (projeto)”, podemos concluir que falta tudo. Entre a idéia e o projeto há o abismo da indefinição do que virá. Infindáveis desenhos poderão dar infindáveis formas (e conteúdos) a uma idéia arquitetônica. Um mesmo programa, ou uma mesma demanda espacial poderá gerar projetos tão distintos e diversos como diferentes são as cabeças de cada arquiteto. É só tomarmos como exemplo os resultados de concursos arquitetônicos, em que são apresentados projetos radicalmente opostos para atenderem a um mesmo tema ou propósito.
O uso reducionista do conceito de projeto tem sido responsável por muitos desastres em nossas cidades, em nossas casas, na maneira com que nos relacionamos com os nossos objetos, enfim com nosso “habitat”. Tomar os espaços da vida e objetos de nosso dia a dia sem seu devido sentido estético e cultural ou, como diria Darcy Ribeiro, “sem ressonância em nosso coração”, é praticar arquitetura (e design) em bases falsas, com propósitos escusos. Nossas cidades e nossas casas estão aí, cheias de absurdos e de desconfortos criados pelo modo de vida de nossos dias, ditados pelo tempo de modismos e aparências acima de tudo em que estamos imersos.
Em arquitetura, porém, o tempo é outro. Busca-se sempre (assim é e foi em toda a história da humanidade) a longa vida, a durabilidade, a perenidade e até a eternidade. E isso não é pretensão. Mesmo sabendo que toda obra pode ser demolida, reformada, alterada, etc, o arquiteto, quando projeta, projeta para uma vida longa, onde não se vê um fim. E também não é pretensão dizer que o arquiteto “desenha” o mundo. Mundinho ou mundão, não importa. O espaço envolvente, “recipiente da existência”, é sempre um pedaço de mundo.
Assim, o verdadeiro desenho em arquitetura é aquele que seleciona, organiza, constrói integra partes e produz totalidades (e mesmo pequenos objetos são totalidades). Costumamos dizer corriqueiramente: “esse copo tem bom desenho” ou “essa cadeira tem bom desenho”, etc. Estamos nos referindo a uma totalidade em que forma e função respondem conjuntamente a uma demanda, externam claramente um sentido, uma razão de ser. São bons projetos, com lógicas próprias a serem vivenciadas em seus valores éticos e estéticos.
Artigo publicado no livro Disegno. Desenho. Desígnio, Ed. Senac São Paulo, 2007 (p.221-228)

Conheça a Stato

6 de out. de 2008

Agenda - Palestra Mario Botta

No próximo dia 27 o Consulado Geral da Suíça em São Paulo, em parceria com o MCB, a Faculdade de Arquitetura da Escola da Cidade, e com o apoio do Instituto Italiano de Cultura realizam uma palestra com o arquiteto suíço Mario Botta, que abordará seus trabalhos recentes.














Data: 27 de outubro, às 19h30 - Gratuito

Mais informações: www.mcb.sp.gov.br


Fonte: Museu da Casa Brasileira